Voltar à página: “Os melhores poemas da língua portuguesa”
Nunca Como en Veneza
Nunca como em Veneza
adoro a nossa pobreza
portuguesa;
as nossas casas caiadas,
as nossas praias salgadas,
os burricos berberes,
e na Batalha de pedras douradas
a saia pela cabeça das mulheres.
Ó Veneza oriental,
marítimo tesouro
de púrpura, de mármores e de ouro:
— em Portugal
rico só é o céu que nos cobre.
Portugal teve o Mundo — e ficou pobre.