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Na Sepultura de Uma Dama
Epitáfio, por um anónimo
Aqui jaz da beleza o doce encanto
Abatido em prisões da Parca dura;
Aqui jaz tosco esmalte a formosura,
Que dos olhos já foi assombro, espanto.
Aqui jaz quem da vida logrou tanto,
Quanto vai desde o berço à sepultura;
Aqui jaz, (oh que dor!) viva escultura
Da mágoa, sentimento, dor, e pranto.
Aqui jaz transmutada em pó, e em terra
A gala superior do mundo ingrato,
Ficando em terra, e em nada transferida:
E se a vida mais grata em pó se encerra,
Esta tosca pintura, este retrato
Desengano é fatal da breve vida.