Antônio Francisco da Costa e Silva (1885-1950)



Voltar à página: “Os melhores poemas da língua portuguesa”





Saudade

Saudade – olhar de minha mãe rezando
e o pranto lento deslizando em fio
saudade amor da minha terra… o rio
cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho. O caboré com frio,
ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando…
e à noite as folhas lívidas cantando
a saudade infeliz de um sol de estio.

Saudade – asa de dor do pensamento|
gemidos vãos de canaviais ao vento…
Ai, mortalhas de neve sobre a serra.

Saudade – o Parnaíba – velho monge
as barbas brancas alongando… e ao longe
o mugido dos bois da minha terra…

Vou Agora Sonhar

A minha vida, sempre inquieta como o mar,
É de renúncia, sacrifício e desencanto:
Enquanto vão e vêm as ondas do meu pranto,
Estende-se o horizonte, além do meu olhar…

Na imensidade azul, fico a cismar, enquanto,
A refletir o céu, vai-se acalmando o mar…
Acalma-se também minha dor, por encanto:
— Já cansei de sofrer! Vou agora sonhar…



Voltar à página: “Os melhores poemas da língua portuguesa”