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Do Primeiro Regresso
Escuta, meu Amor, quando eu voltar
De tão longe, e avistar de novo o Tejo,
O meu Restelo que em saudades vejo
Como outra nova Índia a conquistar;
Quando a minha alma inquieta sossegar
Este voo indomável, num adejo,
E o amor e o céu e Deus, vivos num beijo,
Iluminarem todo o nosso lar;
Quando, meu Santo Amor, voltar o dia
Do primeiro regresso, e a aleluia
Madrugar tua alma anoitecida…
Hás-de embalar-me sobre o teu regaço
Arrolar, encantar o meu cansaço…
E então será o meu regresso à Vida!
A Hora da Prece
Cale-se a voz do Mar, durmam as ondas mansas,
Tombem as velas no convés da nau veleira…
Nasça o luar beijando o berço das crianças,
Venha noite embalar, materna, a terra inteira…
Vento, para o corcel, apeia-te! (Descansas
Vendo o astros florir…) — Ó alva amendoeira,
Noiva, — penteia ao luar tuas nevadas tranças…
(Parece dia, dia claro, à tua beira!…)
Astros do céu, florí! — olhos que o luar desmaia,
Astros, lírios do céu!… E a noite perfumai-a
De mistério e Além… (Cala-se ao longe o Mar…)
“Terras de Portugal!” (E ponho as mãos … É a hora
Das orações…) “O céu na terra, ó meu Sol fora,
Pátria das ondas, meu jardim, florido altar!”