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A Esfinge
«Onde vamos, levados na torrente
Fatídica e invencível do Destino?
O que somos? O que é este divino
Raio de luz, que brilha em nossa mente?
O que é todo este assombro refulgente,
O infindo Cosmos, de que, em vão, me obstino
A interpretar o verbo sibilino
A procurar a origem transcendente?
Que há para além da cúpula azulada?
Que são o Tempo e o Espaço, a Vida e o Nada?
Se há Deus, porque é que ao nosso olhar se esconde?
– Assim, febris e ansioso, exclamamos
Em frente à Esfinge eterna, que adoramos.
Mas a Esfinge impassível não responde!»