Paio Soares de Taveirós (c. 1200)



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Cantiga da Ribeirinha

No mundo non me sei parelha,
mentre me for’ como me vai,
ca ja moiro por vós – e ai!
mia senhor branca e vermelha,
Queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia!
Mao dia me levantei,
que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, des aquelha
me foi a mí mui mal di’ai!,
E vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valía d?a correa.

A Rem do Mundo que Melhor Queria

A rem do mundo que melhor queria,
nunca m’en bem quis dar Santa Maria;
mais, quant’end’eu no coraçom temia
       hei! hei! hei!
       Senhor, senhor, agora vi
       de vós quant’eu sempre temi!

A rem do mundo que eu mais amava
e mais servia, nem mais desejava,
Nostro Senhor, quant’end’eu receava
       hei! hei!hei!
       Senhor, senhor, agora vi
       de vós quant’eu sempre temi!

E que farei eu, cativ’e coitado?
Que eu assi fiquei, desamparado
de vós, por que coita grand’e cuidado
       hei! hei! hei!
       Senhor, senhor, agora vi
       de vós quant’eu sempre temi!

Como Morreu quem Nunca Bem

Como morreu quem nunca amar
se faz pela coisa que mais amou,
e quanto dela receou
sofreu, morrendo de pesar,
ai, minha senhora, assim morro eu.

Como morreu quem foi amar
quem nunca bem lhe quis fazer,
e de quem Deus lhe fez saber
que a morte havia de alcançar,
ai, minha senhora, assim morro eu.

Igual ao homem que endoideceu
com a grande mágoa que sentiu,
senhora, e nunca mais dormiu,
perdeu a paz, depois morreu,
ai, minha senhora, assim morro eu.

Como morreu quem amou tal
mulher que nunca lhe quis bem
e a viu levada por alguém
que a não valia nem a vale,
ai, minha senhora, assim morro eu.


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